sexta-feira, janeiro 16, 2009

O preço que se paga

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Estava eu numa reunião hoje de manhã. O assunto era a eterna nova estruturação. Estávamos em quatro mulheres, uma delas, grávida.

Após a exposição das novas hierarquias, voltamos a atenção para a prenha, que está saindo de licença hoje. Ao comentarem sobre ser mãe de primeira viagem, e eu descobrir que as famosas contrações, são na verdade sentidas nas costas e ai me perguntei o porquê de serem retratadas em filmes e novelas como sendo na barriga, elas fizeram algum comparativo com o que aconteceu na novela ontem. Todas riram. Eu fiquei quieta.

Para encerrar a reunião, minha chefe perguntou se restava alguma dúvida. Ao notar meus olhinhos confusos, dirigiu-se a mim:

“- Bruna, alguma pergunta?”

Disse que não. Mas eu tinha. Só que fiquei sem jeito.
O que diabos aconteceu na novela ontem?

terça-feira, janeiro 13, 2009

Sobre a diversidade

terça-feira, janeiro 13, 2009

Eu nunca achei que fosse namorar. Tampouco, me apaixonar. E lá se vão três anos de um relacionamento intenso, repleto de altos e baixo, certezas e inconstâcias.

Durante esse tempo, pensei em casar muitas vezes. Pensava num apartamento bem moderno, jovem, em um bairro ascendente, com TV de plasma na parede, todo decorado com nossa cara. Num tórrido momento, cheguei até a considerar a idéia de ter um rebentinho pendurado na barra da minha saia. Algo como “casa com cerquinha branca” dos dias de hoje.

Não sei bem quando, nem o porquê, mas por fim eu acabei me tocando de que isso não é pra mim. Não que não possa ser, sou eu quem não quer. Tornei-me uma workaholic, que adora o mercado financeiro internacional. Se existe uma visão que se encaixa na minha idéia de futuro, é a de chegar em casa tarde da noite, cheia de pastas, relatórios e estatísticas, comer alguma coisa que o Sam teve a gentileza de deixar no micro e terminar a madrugada tomando uma dose de alguma bebida cara que achei na nossa adega. A casa vai estar um brinco, sim. Mas porque a nossa empregada é boa e organizada.

Há também uma outra possibilidade. Lógico. Sempre há.
Eu posso conseguir o melhor emprego do mundo, o de zelador de uma ilha paradisíaca na Austrália e ganhar US$ 800 por mês.

Mas não foi isso que eu sempre quis. Quando pequena, sonhava em ter vinte e poucos anos e ser mega fotografada no red carpet a caminho de ganhar um Globo de Ouro, ser vizinha do Brad e da Jenn, e ser entrevistada pelo Larry. Mandar beijos pros fans e dizer que eu também os amo.

Note, leitor, de tudo o que foi citado, nada se encaixaria na vala comum.

Acho que tem gente que nasceu pra ir ao Aquário com o maridinho, o filhinho e os cunhadinhos num domingo a tarde.

Eu, não.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Sobre a Reforma Ortográfica

quinta-feira, janeiro 08, 2009
Eu já escrevi sobre este assunto no fim de 2007, quando primeiro se foi falado sobre a real possibilidade de termos alteradas as normas gramaticais tão sofridamente aprendidas nos saudosos tempos colegiais. E como já era esperado de minha parte, e de outrém, minha opinião não mudou. Ainda penso ser uma patacoada, um despautério, um despropósito essa dita reforma ortográfica.

Entenda bem, prezado leitor, não sou uma tradicional extremista que vê com preconceito qualquer tipo de mudança. O que não aceito são atitudes espalhafatosas, e principalmente desnecessárias, de um governo e seus incontáveis ministérios, que deviam ter mais com o que se preocupar. A Constituição ninguém revisa, mas a rica e preciosa língua portuguesa tem que sofrer rebaixamentos para que o povo tenha a falha sensação de algo está sendo feito?

E o pior é que, por mais que nossas autoridades cismem que querer me convencer de que a idéia é padronizar a língua, eu só consigo entender que essa iniciativa irá nivelar por baixo, empobrecendo daquilo que temos de tão bom.

Convenhamos, o português não é fácil. Passamos a vida toda o falando, ouvindo, escrevendo e pensando, e ainda assim cometemos atrocidades com o pobre. Inumeráveis são as palavras que nem sabemos que existe, centenas são as que nem chegaremos a usar durante nosso período de existência. Sim, é uma língua complexa. Suas regras, normas, exceções, seus gêneros, números, modos. Os verbos. Tudo isso deixa um estrangeiro louco. Mas, convenhamos novamente, é uma língua linda. Completa. Sonora. É algo que temos que nos orgulhar, não alterar. Se os outros países que também o falam sentem a necessidade de sua uniformização, eles que se adequem a nós, oras. Ou será que nossos governantes não os julgam capazes o suficiente de aprender as regras de acentuação?

Lembro de ter lido, no começo desse despropósito, que Portugal estava hesitante em assinar o acordo que previa a padronização. Certos eles! A língua, mais do que qualquer outro folclore, é a identidade de um povo, sua cultura. Não se pode sair por aí colocando cabresto e exigindo falas robóticas. Por algum acaso se vê EUA querendo padronizar seu inglês com a Inglaterra? Eu sei que as diferenças de um e outro não são tantas como entre Brasil e Portugal, mas uma coisa eu te garanto, leitor: aprenda inglês americano e vá passar um tempo na Inglaterra que esses pequenos detalhes passarão a ser um continente de impossibilidades.

O senhor Marcos Vilaça, presidente da Academia Brasileira de Letras, afirmou: "Hoje, é preciso redigir dois documentos nas entidades internacionais: com a grafia de Portugal e do Brasil. Não faz sentido". Pois eu responderia aos redatores: “Ora, deixem de preguiça!”

Mas para provar que não sou tão inflexível quanto aparento, confesso que de todas as mudanças, achei interessante a inclusão do hífen em casos que o primeiro elemento termine com a letra da mesma classe que começa o segundo.

E para provar que essa reformar apenas emburre e não simplifica a língua, lê-se em suas novas regras: “Prefixos como ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró e vice seguem regras específicas e podem exigir ou não o uso do hífen”.

Então, tá, obrigada. Não ajudou em nada.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Sobre relacionamentos

sexta-feira, novembro 14, 2008
Eu gostaria de entender qual o fenômeno que atinge os casais depois de certo tempo. Normal e estranhamente, os homens são as maiores vítimas, mas as mulheres são as mais prejudicadas.

O indivíduo leva uma vida normal. Trabalha. Estuda. Sai de balada com os amigos. Bebe. Paradoxalmente, ele faz tudo isso afim de encontrar sua musa inspiradora, aquela que será sua companheira, que o prenderá em casa e será mãe de seus filhos. E ele encontra. Logo, estão jurando amor, fidelidade e todas aquelas baboseiras que já escrevi sobre neste mesmo blog.

No ápice do início do namoro, os corpos de ambos estão em plena forma. E com o nervosismo que envolve qualquer relacionamento novo, eles até chegam a emagrecer. E com o constante sexo, os músculos se enrijecem.

Passada a fase da conquista, e por consequência a ansiedade, o casal assume uma postura sedentária, acomodada. E o que aparece então? A barriga. Quem é a vítima? O homem. Quem sofre? A mulher.

Às vezes, acontece o contrário. A mulher estribucha de vez enquanto o homem se mantém em ordem, fazendo, é claro, com que o relacionamento dure muito menos do que quando ele enfeiece, afinal, a mulher é muito mais apegada ao interior, à personalidade, carinho e jeito do que o homem.

Daí, se algo dá errado (e provavelmente o errado será proporcional ao tamanho da barriga) e o casal se separa, em questão de dias, aquele que se assemelhava a uma bola, logo retorna a sua forma inicial, com músculos proeminentes, coxas torneadas e aquele que devia ser o lugar de qualquer mulher: o tanquinho.

Com sua nova silhueta, o indivíduo volta à vida de baladeiro, sai, toca o puteiro e por fim, encontra um novo amor, que vai torná-lo um sedentário e o resto já disse.

Pergunta: por quê diabos não nos cuidamos para aquela pessoa que amamos? Por que acabamos por menosprezar aqueles que estão ao nosso lado diariamente, achando que tudo faz parte da vala comum e tendemos a idolatrar o que vem de fora, que não sabe o que se passa e, obviamente, não se importa?

Uma vez, minha professora de português (que me transformou no monstro que sou) me contou uma história que nunca esqueci. Ao agendar uma consulta com seu dentista e amigo pessoal, ela pediu apenas cinco minutinhos do seu dia, um encaixe rápido, afinal, eles eram amigos e ela não se importaria. Ao que ele respondeu: “Justamente por você ser minha amiga é que eu tenho que reservar um horário especial para você. Cinco minutinhos eu deixo para os outros”.

O que estou querendo dizer é que todos os relacionamentos, fraterno ou não, estarão fadados ao fracasso caso não aprendamos a nos cuidar e cuidar dos outros.

Manter o corpo em ordem, a barba feita, o cabelo aparado, unhas em dia, pernas depiladas, sobrancelhas desenhadas, os dentes escovados e por assim vai, é algo que vai além da higiene e estética. Afinal, sua namorada pode te amar o quanto for, mas nada sobrevive ao relaxo. Não é só a maneira como você se apresenta aos outros, é como ela também vai te apresentar ao ciclo dela. E nesse ramo, leitor, a conquista deve ser eterna.

Todas nós gostamos quando nossos namorados são elogiados. E ver algumas suspirando por vocês, além do ciúme, dá uma sensação de poder inigualável, que será muito gratificante para os senhores na hora do sexo. Acredite.

É óbvio que ninguém está impecável o tempo todo. E até nisso mora um charme, afinal, privilegiados são os olhos que presenciam o outro de pijama, naquele bocejo estrondoso, ou num momento constrangedor qualquer. Isso dá a sensação de intimidade. Aquele defeitinho que só você conhece. E não a cueca furada que a rua inteira tem ciência.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Sobre o novo capítulo histórico

segunda-feira, novembro 10, 2008
Às 2h15 do último dia 5 de Novembro - horário de Brasília - o mundo virou mais uma página e começou a ler um novo capítulo da história mundial.

Por volta desse horário, o ex-concorrente à Casa Branca, John McCain, ligou para o mais novo presidente mundial, Barack Obama, e o congratulou por sua vitória.

Confesso, prezado leitor, que eu não imaginava esse desfecho. Desde a disputa de Obama com Hillary nas primárias, para mim, a trajetória seria certa: Obama, primeiro; McCain, depois.

Todavia, como o mundo já sabe, não foi bem assim que se deu a história.Tivemos a oportunidade de vivenciar uma situação que há pouco tempo seria considerada heresia se discutida abertamente. Um negro, cujo nome do meio é Hussein, tornou-se presidente dos Estados Unidos, num momento de alta crise, quando mais se esperava que o tradicionalismo reinasse. Não obstante, Obama levou às urnas aproximadamente 66% dos 153,1 milhões eleitores registrados para as eleições presidenciais, que enfrentaram longas filas e todos os problemas iminentes ao já arcáico método de votação. Fato que, de acordo com o site Real Clear Politics , significa a maior taxa de participação pública desde 1908.

Ao ter sua vitória anunciada, Obama já pôde contar com o apoio anunciado de George W. Bush e do ex-adversário McCain, quando ambos declararam estar ao lado do novo presidente em busca do bem maior dos Estados Unidos.

Algumas horas depois, a imprensa do Oriente Médio já noticiava, esperançosa, a mais nova escolha americana. E até Cuba, que vive num embargo financeiro imposto pelos Estados Unidos desde 1962, já aguarda novas negociações.

Desnecessário dizer que Obama se tornou a unanimidade política dos tempos atuais. Tanto dentre estudiosos – que ainda se acutelam em afirmar sua predileção – como pelo povo, por exemplo o brasileiro, que não importa muito com as eleições em seu país, mas acompanhou e se emocionou com a trajetória de Barack rumo ao poder.

Prudente, porém, é não julgar Obama como o salvador mundial que veio para dar um jeito definitivo nas coisas. Sua política foi forte o suficiente para o levar ao topo, mas os verdadeiros desafios virão agora. Nós, brasileiros, não devíamos nos vislumbrar com uma história sofrida, pois há duas eleições presidenciais que vivemos a mesma (des)ilusão.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Sobre Dor.

segunda-feira, novembro 03, 2008
Qual seria a pior coisa para se dizer a alguém?
Acabou.
Não te amo mais.
Mudei de idéia.
Não é você, sou eu.

Não. Definitivamente, não. A pior coisa para se dizer alguém é que algo findou-se por completo. Afinal, como dar a notícia de que uma vida chegou ao fim? Não tem jeito. Dói em quem fala. Dói em quem ouve.

Hoje cedo tive que receber essa notícia. E em seguida, repassá-la. Ainda estou sentindo as duas dores.

Fiquei vários minutos parada, olhando pro nada, tentando assimilar a informação.
Não, ele não era meu melhor amigo, não nos víamos todos os dias. De fato, eu sequer sei como é seu rosto. Conversávamos muito, mas apenas por telefone. Chegamos até a fazer confidências. Ele se tornou alguém próximo. Alguém que estava ali, que eu sabia que podia contar.
Ossos do ofício de analista de comex: muito contato através de máquinas.

Ele, um senhor do RJ. Eu, uma estagiária perdida de SP.
Nos dávamos tão bem! Inúmeras foram as vezes que ele me ajudou. Maior paciência. Maior respeito pelo meu trabalho.

Sabe essas pessoas que são iluminadas e que, logo de cara, a gente sabe? Pois é. Ele era. Talvez ele não saiba, mas ele me ensinou muito. E não foi só sobre análise de crédito, ACC, ACE, e câmbio. Ele me ensinou um pouquinho mais sobre ser humano. Sobre respeito. E que estar sempre com um sorriso para atenter quem quer que seja pode facilitar muito nossa vida.

O mundo amanheceu mais triste nesta segunda feira.
O banco. O câmbio. O Rio de Janeiro. E eu também.

sábado, novembro 01, 2008

Sobre coisas que acontecem

sábado, novembro 01, 2008

Há pouco mais de quatro anos, quando comecei minha jornada empregatícia, uma vontade me assolava: assistir a uma corrida de Fórmula 1 em Interlagos.

Meu salário não passava de R$ 600,00 mas eu achava que seria possível gastar quase o triplo num ingresso. Utopia.


O tempo foi passando e eu percebi que F1 é um hobby para quem tem dinheiro. E nunca tive. Acabei por deixar de lado aquilo que poderia ter se tornado uma paixão.


Há duas semanas, porém, fui sorteada no Banco onde trabalho após ter respondido um quiz corretamente. Acredite, senhor leitor, a sorte mandou-me um email e fui contemplada com um ingresso para assistir ao treino livre dessa temporada, que ocorreu ontem, sexta-feira, dia 31/10/2008.


E não foi apenas isso.

Pude entrar no box da McLaren, visitar os outros, ficar no espaço VIP, comer do bom e do melhor e andar por onde minhas pernas me levassem.


Inútil tentar transmitir a sensação única que é quando se ouve pela primeira vez o ronco de uma Ferrari.

Não usei o protetor auricular uma vez que fosse. Não quis. Eu queria ao máximo sentir aquele som insuportável dentro de mim. Não sabia quando aquilo ia me acontecer de novo. E de fato, não sei.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Sobre o pessoal do ônibus

quarta-feira, outubro 29, 2008
Às vezes eu tenho dó das pessoas que pegam ônibus e metrô comigo. Elas me vêem com roupa social e salto alto mas nem imaginam minha história.

Elas não sabem que tenho experiência em shows de metal.

Pobrezinhos.

segunda-feira, outubro 20, 2008

...

segunda-feira, outubro 20, 2008

Eu queria entender porquê a vida não pode ser um pouquinho mais como nos filmes. Porquê nossos talentos não são logo descobertos, se não por nós mesmos, por outrém, capazes de nos levar adiante?

Por quê fazemos parte de um sistema falho? Se sabemos que está tudo errado, porquê continuamos no mesmo caminho? Pra mim, isso não faz sentido.

Sempre tive vontade de tocar instrumentos musicais. Sempre tive vontade de lutar artes marciais. Sempre tive vontade de ganhar a vida escrevendo. Sempre tive vontade de estudar psicologia. Sempre tive vontade de ser atriz.

Call me crazy, mas eu acho que seria capaz de fazer tudo isso com maestria. Não apenas não tive apoio, como nunca me foi permitido seguir tais caminhos. Maldita maturidade que chegou antes do tempo.

Estou cada vez mais longe do final feliz.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Quando não dá, não dá.

quinta-feira, outubro 16, 2008
A Jan é minha testemunha que nunca consegui fazer parte de patotas que duravam muito tempo. Tivemos experiências muito boas com galeras, mas nada duradouras. Se envolvesse mulher, então, o pouco tempo diminuia mais ainda.

Pois bem.
Há pouco mais de quinze dias comecei a almoçar com duas gurias aqui do banco. Gente, que festa que fazíamos! Três meninas de vinte e poucos anos que trabalham no mesmo lugar, e por isso, conseguem falar a mesma língua e mal das mesmas pessoas. Cara, que máximo! Teve um dia que saímos em cinco meninas. Foi um escândalo! Falamos mal de homens, bem dos namorados, falamos sobre cores, familia, televisão, comportamento.

Nesse momento, percebi o quanto eu sentia falta das “coisas de mulher”. Reclamar de uma rua esburacada quando se está de salto alto, invejar o cabelo de alguma atriz, falar sobre cores de esmalte, palpitar no sapato e na combinação de roupa uma das outras.

Note, prezado leitor, que as tais futilidades refereridas são de demasiada importância para o universo feminino quando não se dão em demasiada quantidade. Elas se equiparam aos homens terem que tomar uma cerveja, jogar um bilhar, assistir futebol ou algo do tipo.

Girls stuff!

Hoje o clima no almoço estava pesado. Logo após, chegam emails para mim: “Ah, Bru, desculpa o mal humor. Eu briguei com a fulana porque ela queria uma blusa igual a minha, por isso estava quieta”

E daí eu lembrei o porquê de eu não fazer parte de patotas, muito menos daquelas que envolvem mulheres.


ExplodingDog.com - What did we do worng

segunda-feira, outubro 13, 2008

Sobre amizade no trabalho

segunda-feira, outubro 13, 2008
Tem uma guria que trabalha aqui no Banco que, desde que eu entrei, ela tenta ser minha amiga.

Embora fôssemos de setores diferentes, sentávamos perto antigamente, e ela sempre se convidava para almoçar comigo e minha patotinha.

A guria é tão insuportável, senhores leitores, que vejam só vocês, ela conseguiu apartar meus queridos amigos que dividiam o horário de comilança comigo. Por fim, íamos apenas meu chefe, ela e eu. E um pouco adiante, ela e eu.

Ela dizia que éramos iguais. Que não tínhamos as atitudes infantis e ridículas das outras meninas do Banco. Que nós sim é que trabalhávamos. Que éramos especiais. Eu mesma nunca disse isso. Tampouco acreditava. A guria era fútil ao extremo, chata, infantil, mimada e sem consciência alguma do que é o mundo lá fora. Só que ela não sabia disso.

Mês último ela saiu de férias. Foi uma felicidade só. Daí ela voltou, e fomos almoçar, ela, meu chefe e eu, para sabermos as novidades (que não queríamos saber, mas ela queria contar).

Ela começou: "Aí, Dubai é a coisa mais linda do mundo. Melhor lugar que eu já fui. Perfeito. Eu quero fazer um intercâmbio lá. Ficar lá um tempo, mas minha mãe não deixa!"
E eu terminei: "Cacete, Lu, você tem quase 30 anos nas costas e sua mãe não te deixar fazer as coisas?!"

Pronto. Perdi a amiga.

ExplodingDogs.com - I'm not my fault

quarta-feira, setembro 24, 2008

Círculo Social

quarta-feira, setembro 24, 2008

Quando pequena, eu era gorda, alta perante as meninas da minha idade, dentuça e, obviamente, complexada.

O tempo passou, e graças à Deus, aos vômitos, ao axé, à chapinha e ao salto alto, eu mudei. Tenho noção disso. Quando conto às pessoas sobre meu passado, elas se surpreendem e logo pedem para ver fotos de quando eu pesava quase 80 kgs.

Verdade, meu corpo mudou. Mas meu cérebro não. Ainda hoje, meu pscológico me prega peças dizendo: “Imagine que alguém vai te dar alguma coisa porque acha você bonita. Gordos não têm chance. Principalmente aqueles sem sobrancelha”. Notei, inclusive, que tenho dificuldade em olhar as pessoas nos olhos por demasiados segundos. Não sei, me sinto vexaminada, como se estivessem ressaltando todos os defeitos físicos que tenho. E que não são poucos.

Não sinto dó de mim. O post não se trata disso. É justamente o oposto. Porque eu sei que não sou mais tão horrorosa como fui outrora, mas não seria capaz de me vender como boa em alguma coisa. Ainda me julgo desengonçada e incapaz mesmo em assuntos que sou muito elogiada, como escrever.

O que me surpreende, é justamente a capacidade de se ver como algo além do comum das pessoas feias. Calma, leitor, não se precipite. Não digo feias pela aparência (muito embora também o sejam), digo feias por dentro. Pessoas que não têm nada de bom para agregar a ninguém. Pessoas cujo ego consegue ser maior que Deus.

Essas pessoas pensam não ter defeitos. Mesmo a caspa asquerosa eles julgam como excitantes floquinhos brancos; as espinhas repletas de pus são estrelinhas especiais e os cravos grandes e pretos são seus retentores de seiva. Os dentes apodrecidos são sinônimos orgulhosos de uma vida desregrada e anti-higiênica e o mau hálito, recompensa inigualável da podridão do dia anterior.

E essas pessoas, leitor, ainda se auto entitulam poetas, jornalistas, profetas ou missionários. Acham mesmo que fazem alguma diferença no mundo e que são dotadas de talento. Deve é ser sequela de tanto que apanharam na escola. E de tanto serem menosprezados, acho que começaram a supervalorizar até mesmo suas nojeirices. Levam à sério a parada do “Ame-se do jeito que você é”. Perderam a medida. Foram longe demais.

Temo pelo dia em que eles vão acordar e cair na real. Perceber que não passam de uns bostas, que não têm ninguém e que foram tão arrogantes, que nem Deus está mais ao lado deles.

Temo, não. Anseio.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Sobre Mundos Diferentes

segunda-feira, setembro 15, 2008
Após uma sessão inspirada de minha parte, fazendo meus companheiros de tarbalho rir a valer por estar pentelhando um outro colega de trabalho, beirando a exaustão, soltei um longo suspiro de cansaço:

“- Ai, aaaai....”
“- Que foi, Bru?
“- Minhas energias foram sugadas. Acho que esse Deco é um Vampiro Psíquico!”

Os risos estouraram novamente.

“- Ah, Bru, vc é demais”

Só que eu não estava mais brincando.

terça-feira, agosto 19, 2008

Dia-a-Dia

terça-feira, agosto 19, 2008
Na rua, no ônibus cheio ou numa fila gigantesca, não somos mais do que um número. Um alguém a mais que está ocupando um espaço que poderia dar mais conforto a outro alguém. Somos normais, quase sempre medíocres. Após um dia exaustivo, a pele cede ao suor, a postura despenca e o ar de cansaço é a única coisa que nos resta.

Mas isso não é o tempo todo. Durante o expediente, somos alguém. Temos responsabilidade, temos importância. Valorizamos aquilo que fazemos, mesmo que não o façamos com tanto gosto assim.

Tenho assistido muito E.R e, egoicamente, tenho comparado meu dia-a-dia com o daqueles doutores. Passo umas 9h por dia ao lado dos meus amigos aqui do banco. Às vezes mais, às vezes menos. Passamos por todas as situações imagináveis juntos, brigas, gargalhadas, falta de paciência, excesso de humor, mal humor, ranzizisse, burrice, esperteza, bolas dentro, bolas fora e eventuais comida de bola.

Quando eu entrei, encontrei um setor capengo, apartado, hostil. Hoje o cenário é outro. Somos unidos, amigos, brincamos na maior parte do tempo, nos conhecemos bem. Tiramos sarro um do outro. E principalmente, nos defendemos e apoiamos. Pelas pessoas, se tornou muito agradável trabalhar aqui.

A proximidade é tanta, que tenho sentido falta deles durante o tempo que não estamos juntos. Nós temos brincadeiras que só nós entendemos, um vocabulário só nosso e troca de olhares bem cúmplices.

O porquê da ligação com E.R?
Bom, no final de cada capítulo, vemos cada um em sua casa, fazendo suas coisas, normalmente sozinho, na mediocridade, normalidade de uma vida, meio que esperando o dia seguinte, quando a aventura e a batalha, começarão novamente.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Mudei, mas não queria

segunda-feira, agosto 18, 2008
Saudades do tempo em que eu estava do lado de lá da música. Hoje eu me vejo ao máximo tentando ser normal, me esfoçando pra fazer parte. As coisas mudam, não é mesmo?

Enquanto você / Se esforça pra ser / Um sujeito normal / E fazer tudo igual...
Eu do meu lado / Aprendendo a ser louco / Maluco total / Na loucura real...
Controlando / A minha maluquez / Misturada / Com minha lucidez...
Vou ficar / Ficar com certeza / Maluco beleza / Eu vou ficar / Ficar com certeza
Maluco beleza...

segunda-feira, julho 21, 2008

We’re not getting any younger.

segunda-feira, julho 21, 2008
Dentro de aproximadamente um mês eu completo 23 anos. Isso me assusta. Não pelo motivo que semana passada desesperou a Jan. Não tenho medo de rugas ou ter que começar a usar Renew. Meu medo não é começar a ficar velha. O que me entristece é saber que minha velhice começou aos 19 anos.

Desde que comecei a trabalhar, eu literalmente não parei. Sequer férias eu tirei ao longo desses quatro anos. Minha vida tem sido um constante acordar às 6h (quando não às 5h), pegar dois ônibus lotados para atravessar a cidade, porque em nenhum dos meus três empregos eu tive a sorte da proximidade.

Minha vida se resume aos sábados, mas depois de uma maratona dessas, a vontade não passa de não sair da cama.

Diariamente, cruzo com jovens da minha idade, em plena segunda feira de manhã, usando tênis e calças jeans, dirigindo-se a lugares que certamente não são seus trabalhos. Enquanto eu vivo com um salto alto, calça social e diversos números na cabeça.

Acho injusto a maneira como eu tive que crescer e envelhecer aos 20 anos. Acho errado ter tanta responsabilidade e pressão tão cedo.

E as coisas não vão mudar... não vou voltar a usar all star e jeans durante a semana. É disso pra pior.

A melhor fase da minha vida, já passou.

terça-feira, junho 24, 2008

Sobre falta de sorte

terça-feira, junho 24, 2008
Sorte nunca foi um dos meus ingredientes principais. Sempre pude contar apenas com minha vontade, capacidade e empenho – e a torcida para que desse tudo certo.

Pois bem, de um tempo pra cá, as coisas desembestaram a dar errado. Não sei se tem relevância, mas semana passada eu quebrei um espelho. Fiz o coitado em pedacinhos.

E as coisas realmente não têm ido bem. Sabe aquela coisa de: “Ah, você ia ganhar um Porsche, mas já que comprou um Fusquinha, deixa pra lá”?

Contratei os serviços de uma TV por assintura e disseram que em até dois dias estaria tudo instalado. Três dias se passaram e eles me informaram que o prazo havia sido estentido para sete dias. Sete dias depois, eles me informaram que a instalação se daria em mais sete dias.

Fui almoçar e pedi na lanchonete um simples misto quente. Vinte e cinco minutos e vários pratos sofisticados depois, volta a garçonete: “Ahn, desculpe, senhora. O que a senhora pediu, mesmo?”

Dos quatro elevadores inteligentes disponíveis nesse prédio, três chegaram, e o meu empacou.

Fiquei de exame em duas matérias na faculdade por nota mínima: 0,5 e 0,7 ptos.

Peguei hepatite B, provavelmente, por causa das tatuagens.

Meu pai vendeu o carro – o nosso e o do meu irmão.

Perdi meu bilhete único de estudante e estou morrendo com R$ 10 conto por dia de condução.

Posso me considerar azarada, ou será que o Samuel tem razão em dizer que dou demasiada importância para coisas secundárias?

sexta-feira, junho 20, 2008

Sobre o tempo - dele

sexta-feira, junho 20, 2008
“Pensando… eu sou um paulista, vivo apressado, meu relógio é adiantado 10 minutos. Tentar diminuir os atrasos... e ainda assim, eu vivo correndo (e atrasado).
Hoje, eu descobri que ignoro o ponteiro das horas, e vivo contando com os minutos. Em nenhum relógio que olhei, eu vi que horas eram, e sim quantos minutos me restavam. Mesmo em relógios digitais, eu simplesmente ignorei os 2 primeiros digitos, e vim contando apenas com os minutos que me faltavam... Nada pode levar mais do que uma hora. A cada vez que os minutos marcam “00” novamente ja é hora de sair pra algum outro lugar... e isso me deixou impressionado com minha falta de atenção e meu stress...
Realmente a caspa deve ser isso.
Enfim... preciso desacelerar, antes que a caspa vire coisa pior”

Como acontece diariamente, liguei pro meu amor pouco depois das 9h. Para minha surpresa, ele já estava na rua. Quando deu 10h, recebi um e-mail seu. Oras, ele só entra às 10h40... que diabos lhe aconteceu? Às 10h10 ele me liga:
"Acordei 1h mais cedo, cheguei 1h mais cedo e só agora percebi"

Fui acometida por risos apaixonados incontroláveis. O texto ele foi ele quem escreveu, na troca eterna de emails.

segunda-feira, junho 09, 2008

Sobre Sonhos

segunda-feira, junho 09, 2008
Não sei quantos dos antigos (e queridos) leitores ainda passam por aqui. Tampouco sei quantos de vocês têm sonhos. Muito menos faço idéia se eles foram realizados.

A questão, prezados, é que desde meus saudosos 11 anos, um sonho me assolava: ter um carro e saber dirigi-lo. Eu tinha a idéia utópica de que, assim que fizesse 18 anos, eu teria a habilitação numa mão e a chave do possante, na outra. Como eu disse, utopia.

Longo foi o tempo que passou até que eu pisasse numa auto-escola. A possibilidade de ter um carro só começou a se concretizar chegado os 22 anos de idade, quando, em conjunto com meu pai, demos entrada num Celta, 1.0, pé-de-boi total: sem ar condicionado, sem direção hidraulica, sem vidros automáticos, sem airbag, sem trava. Mas como era lindo, meu pequeno.

Nunca algo me deu tanto desgosto. Eu ainda guardava a idéia adolescente, de que era só entrar e sair dirigindo por ai. Rá. E o medo? E a falta de coordenação? E o fato de eu ser míope e não usar óculos?

Poucas coisas me fizeram chorar tanto na vida. Depois que subi na guia pela primeira vez, amassei a roda e fodi o eixo – mas ainda sim, sem bater em outro carro ou atropelar alguém – passei a achar que eu não tinha nascido praquilo, que não tinha talento. E briguei com meu pai, jogando toda a minha frustração nele.

Pouco tempo se passou e os meus diamantes começaram a dar brilho na minha vida: o Sá, a Jan, o Dente, o Bru...

Meu amor e a Jan nunca sequer hesitaram em sentar ao meu lado e assinar sentença de morte. Mesmo depois de algumas barberices, estavam sempre lá, dispostos e com uma palavra de apoio e encorajamento.

O Dente e o Bru me deram toda a experiência que podiam, contando todas as vezes que ja haviam batido, capotado, ralado, quebrado e principalmente, continuado.

Essas pessoinhas, mais do que niguém, me transformaram numa boa motorista. Eles despertaram minha votatde de ir além. E eu fui. E a sensação de ter o sonho acontecendo é simplesmente, sublime.

Ter o carro na porta, poder sair, dirigir, dar carona, não importa se longe ou perto, se chovendo ou não. É simples, mas era meu sonho.

Só que o sonho acabou antes mesmo de que eu me acostumasse e criasse outro. E só o que me restou, foram as lágrimas.

segunda-feira, maio 26, 2008

Aviso

segunda-feira, maio 26, 2008
Se você não quer chorar até seu próprio corpo se esvair em lágrimas, sugiro que não assista ao filme "P.S: Eu te amo".

É do tipo que faz grandalhões soluçar, se é que vocês me entendem.

 
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