terça-feira, maio 13, 2008

Abismo Cultural

terça-feira, maio 13, 2008
O pessoal que trabalha comigo nunca sequer ouviu falar de Mafalda, do Quino. Isso me deixou deveras apavorada.



sexta-feira, abril 11, 2008

Minha (lastimável) opinião.

sexta-feira, abril 11, 2008
Amanhã completam sete dias desde o show do Ozzy. Creio que todos os presentes ao evento que tenham blog já tenham feito suas considerações. Eu não.
Em verdade, ia me manter calada por não ter nada de novo a acrescentar. Mas ontem, li uma matéria no Wiplash que despertou meu âmago jornalístico (e intriguento).
Nesta matéria, o senhor Juliano Henrique Dantas, afirma com veemência que o show valeu cada centavo. Tanto para quem estava na pista como para quem estava na arquibancada. Elogiou o som, não se importou com o tumulto tampouco com o preço abusivo dos alimentos sendo vendidos.
E com isso, eu não concordo.
Devo esclarecer, pois, que eu havia decidido não comentar o show, uma vez que eu mesma o havia estragado para mim. E pro meu namorado. Acontece, querido leitor, que até a vinda do Príncipe das Trevas, eu julgava apenas não gostar de arquibancada (ou cadeira especial descoberta, como queiram). Descobri porém, que eu odeio arquibancada. É quase como se não fizesse parte do show...é a mesma sensação do ditado “Assistir de Camarote”: você é apenas um espectador e não parte.
Ao adentrar o estádio e me sentar naquele banco xexelento e deveras desconfortável, eu me dei conta desse repúdio por arquibancadas. Mas aí, já era tarde demais. Simplesmente incorporei minha infantilidade e fechei a cara, rezando para que me esquecessem ali, justamente para não causar o estres no meu amor que acabei causando.
De qualquer maneira, eu não teria as centenas de reais adicionais para pagar minha entrada na sonhada pista. Eu tinha que me contentar com minha realidade.
Senhores, as coisas não melhoraram por ai. Depois de umas quatro horas de espera, você começa a querer beber e comer alguma coisa. Não é fome. É ansiedade. Falta do que fazer. Eis que o absurdo recomeça:
- 1 Água: R$ 3
- 1 Refri: R$ 4
- 1 Ruffles: R$ 5
- 1 Dog: R$ 7
“Ah, mas o dog é caprichado!”, vc pensa. Que nada. Era uma pão seco com uma salsicha seca. O Sá me informou que o preço de venda final para aquele “sanduíche” é de R$ 1. Os caras estavam vendendo por R$ 7. Isso é justo?
Logo que passei pela revista, ouvi uma guria que havia perdido um de seus pertences: “Nada que o Ozzy não mereça”.Ora, meus amigos, eu reconheço os serviços prestados pelo Velho Louco ao rock, e por consequência, à nós roqueiros, mas daí a falar que ele é merecedor de perdas para nós, eu discordo. Eu até me ogulharia em dizer que meu amor por fulano é maior do que essas ninharias, ou algo do tipo, mas aí o conceito já é outro.
O senhor Juliano Henrique Dantas não se importou com o tumulto. Lógico, ele estava longe do tumulto. Ou seja, ele não teve que sair arrumando briga com quinhentas pessoas que, recém chegadas, queriam simplesmente tomar o lugar daqueles já com a bunda e pernas doídas, de tanto esperar na fila e lá dentro.
O senhor Juliano Henrique Dantas disse que o som era perfeito. Também, pudera. Era playback! Eu, de início, achei estranha como nosso anfitrião podia pular tanto e ainda sim, sequer ofegar. Mas pensei que fosse os anos de estrada...E um amigo, que havia visto tudo da pista especial, confirmou o Ozzy estava cantando em cima de um playback. Isso não tira os méritos daquele que já é considerado decrépito, mas faz com que seus elogios sejam menos entusiasmados.
Quanto à escolha das músicas, concordo ter sido muito boa. Mas também, depois de tantos sucessos, seria difícil errar.
Eu também acho que o saldo foi positivo. Quando paro e penso no show, concluo que foi phoda. A abertura de BLS foi muito boa (mas sou suspeita, porque já gostava da banda desde o L’nL de 2005) e realmente me surpreendi com Korn – que vou baixar músicas ainda neste findi. Todos foram atenciosos, conversaram com a platéia, agradeceram a presença e ao Ozzy a oportunidade. E o próprio Ozzy, pedindo gritos, palmas e alvoroço, jogando baldes de água na galera, pulando e sorrindo feito uma criança de apartamento pela primeira vez no PlayCenter. Dizendo que estava “growing”... Isso tudo realmente valeu a pena.
A emoção que senti com “I don’t wanna stop” e “Mama I’m coming home” são impagáveis. Além disso, música é arte. E não se pode colocar preço na arte. Sendo assim, entendo que paga quem pode e quem quer. Mas que não é justo, não é.
E querem saber o que mais não é justo? O senhor Juliano Henrique Dantas escreve (mal) para o site Wiplash e tem status de imprensa. E eu não.
Foto tirada do site Wiplash

segunda-feira, abril 07, 2008

Últimos quinze dias.

segunda-feira, abril 07, 2008
Getúlio. Revisão para provas. Estudar. Aumento de operações no banco. Offshore. BNDES. Sem almoço. Correria. Marcar a despedida do meu irmão. Confirmar lugar. Chamar pessoas. Ir. Estudar. Prova. Prova. Ir bem. Ir mal. Prova. Sem almoço. Mais operações. Não ir trabalhar. Aeroporto. Avião. Tchau. Trânsito. Tatuagem. Não ir à facul. Perder prova. Ficar bebendo com o pai. Trabalho. Operações. Prova. Fila. Mal humor. Ozzy. Choro.

Vazio.
Saudade.
Tristeza.

terça-feira, março 18, 2008

LUTO

terça-feira, março 18, 2008
“A Bubu chegou!”,
“Oi, tudo bem? Tudo”,
“Ai, que gostoso”,
“Cadê a vovó? Cadê meu velho? Cadê Bubu? Cadê o Boomer? Cadê a mamãe?”,
“Bom dia”,
“Viva o Getulinho!”

E mesmo quando não agüentávamos mais suas cantorias e assobios, pedíamos: “Getúlio, fica quieto!”, mais do que prontamente, ele respondia: “Não”.
Esse era o nosso bichinho. Nosso amiguinho, como o chamaram no cemitério. Para falar a bem da verdade, ainda não me acostumei com a idéia de que ele não está aqui. Por vezes, me pego pensando que ele está dormindo ali na gaiola dele. Mas a gaiola está vazia...uma visão simplesmente cruel.

Ele ficou conosco pouco menos de dois anos. Tempo muito curto pra quem já se preparava em passar os próximos sessenta anos agüentando toda aquela falação.

Nunca achei que eu fosse desenvolver um carinho tão grande por esse animal verdinho, mas vai ver, herdei a paixão da minha mãe, que a vida inteira tentou ter um, e a história acabou dessa forma.

Há três semanas o Getúlio foi diagnosticado com candidíase estomacal. Aparentemente, é algo comum entre pássaros. Minha mãe fez de tudo, tratou-o da melhor forma possível, comprou os remédios mais caros, não poupou gastos nem atenção para que ele continuasse nos dando alegria. Mas isso não aconteceu.

Hoje de manhã, nosso bebezinho faleceu nas mãos da minha mãe, enquanto ela tentava alimentá-lo. Ele estava sofrendo, eu sei. Há dias que não comia nada, apenas tomava antibióticos e vitamina, o que pelo visto, não foi suficiente.

Eu não sei o que Deus pensa da vida, e até duvido que ele pense, mas sei que ele é um velho desgraçado que vê prazer no sofrimento contínuo de uma família já desmoronada. Desde que me conheço por gente, as pessoas ligadas à mim pelo laço sanguíneo só se fodem. Não é justo. Minha mãe teve uma vida desgraçada pela infelicidade em todos os aspectos que formam um cidadão e a única alegria dela era a porra do Getúlio. Por quê, então, esse pseudo todo poderoso, que se diz misericordioso não deixou que o Getulinho ficasse aqui, conosco? Por quê mais essa tragédia tinha que assolar a gente? Não pedi por dinheiro, nem fama...nem sequer emprego eu tô pedindo! Só que queria continuar a acordar aos sábados ouvindo todo aquele falatório, vê-lo dançar feito um lunático ao som de qualquer música, estar no sofá, e de repente, sentir os pezinhos dele escalando até se ajeitar no meu joelho e ficar me fitando com aquele olhar de esguelha, semi-cerrado.
Getulinho, como diz a música das horas mais tristes: "'Till the day we meet again, in my heart is where I'll keep you, friend".
Eu estou triste. Profundamente triste.

quarta-feira, março 05, 2008

Sobre dores psicológicas

quarta-feira, março 05, 2008
Ontem eu usei uma sandália nova. Não gosto de usar calçados novos por longos períodos numa primeira vez porque nunca sei qual o dano que eles causarão. E acredite, eles causarão. Mas eu estava animada com minha compra e resolvi calçar a belezura da moda para ver se meu dia se contigiava com a empolgação.

De fato, a dita não judiou tanto de mim como eu pensara. Fez apenas um corte seguido de bolha, logo estourada pelo atrito, em um dos meus dedos. Até então, nada demais para quem usa coturno desde muito nova. A questão é que, por falta de vontade de pensar numa nova combinação, repeti o calçado hoje e foi aí que o tal corte esfolado começou a doer. Lembrei-me, então, que há algumas semanas ganhei uma caixa de band-aid do RATATOUILLE e o havia esquecido no fundo da mochila. Corri no banheiro e protegi meu ferimento com aquele curativo que, feito para crianças, possui uma camada extra de algodão, o que o deixa deveras macio.
O alivío foi imediato. Ao pisar no chão, parecia que eu pisava nas nuvens. Nem o tal dedo escoriado eu sentia mais.

Voltei para minha mesa e, ao continuar minhas análises, senti uma dor aguda no pé. Atentei para o dedo, e percebi que ele não mais doía. Dali a pouco, novamente a picadinha... notei, então, que a dor física não existia mais. Mas de tanto doer o dia todo, meu cérebro meio que continuava interpretando os sinais de dor.

Isso aconteceu literalmente. Mas com certeza vou usar como metáfora em breve. A começar por mim mesma.

“O amor é como um corte no pé que doeu o dia todo: mesmo depois de medicado, continua a doer mesmo que não doa mais.”

Ou qualquer coisa do tipo.

segunda-feira, março 03, 2008

A ligação que salva

segunda-feira, março 03, 2008
"- Alô?!"
"- Oi, Jan"
"- E aí?"
"- Tô pensando muito na Amarílis"
"- Vixi...então, toma banho de arruda com sal grosso, que a coisa tá feia!"

Só ela consegue me fazer lembrar.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Sobre defeitos, pontos fracos...e chatice

quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Eu sou estupidamente idiota quando se trata de amigos. Acho que este tem sido um ponto fraquíssimo em mim.
As pessoas não entendem, mas não me revolto com isso porque nem eu mesma entenderia se fosse com outrém.

Conversando com o Lucas, um amigo nihilista da faculdade, sobre defeitos e passado sujo, eu cheguei à conclusão que meu pior defeito é também o pior defeito que se pode ter: eu sou incorrigível. Isso me faz pior do que os outros porque me distancia do poder de melhora.

Eu ainda vivo num mundo de faz de conta. Num mundo onde amigos são pra sempre e a Amarílis e eu podemos voltar a nos falar. É estúpido, eu sei, mas sinto falta dela. Querendo ou não, tivemos bons tempos juntas e eu sempre preciso de ajuda para lembrar o que foi nos afastou. Hoje, eu sei que ela me despreza mais do que qualquer ser vivo na face da Terra (ou pelo menos, é o que diz meu ego) e jamais poderia obrigá-la do contrário, afinal, eu devo ter feito um inferno na vida da guria, defendo-me, pois, o inferno foi ela quem criou, eu apenas a fiz viver nele por um tempo.

Eu ainda acho que posso encontrar um grupo de amigos como o AEIOU. Finalmente me libertei da idéia que só eles são legais no mundo, mas ainda penso que posso contar com a lealdade que vivi com eles. Estúpida mais algumas vezes.

De fato, eu não queria ser assim. Eu sei o quanto sofro cada vez que percebo (ou lembro) que essas coisas não são possíveis. Eu queria ser mais normal, conseguir deixar coisas de lado.Não queria que meu namorado me julgasse contraditória toda vez que tentasse fazer algo que penso me deixar feliz.

Eu não faço sentido. E sinto falta das pessoas que também não fazem.
Eu quero as pessoas fora do vidrinho.

sábado, fevereiro 23, 2008

Sobre Ingratidão

sábado, fevereiro 23, 2008
Eu já tive três empregos desde que comecei minha vida profissional. Difícil saber qual foi pior. Difícil falar em qual fui mais frustrada. Nunca trabalhei com coisas que realmente me interessassem. Pior agora, que analiso operações de comex sendo que a coisa que eu sempre mais odiei nessa área foi justamente a buracracia. Vida irônica.

Eis que, nos dois últimos meses, resolvi arriscar e tentar penetrar qualquer mundo alternativo, fosse o do rock, fosse o da minha paixão que é escrever. Perdi a conta de todas as agências, revistas e produtoras para as quais enviei meu simples currículo e minha grande vontade. Tive algumas respostas, uma promessa, e outros “se liga”.
A verdade, eu descobri, é que as pessoas não me querem. Devem estar saturadas de pseudo-intelectuais como eu, que na real, não têm talento algum.

Lembrei então, de quando entrei no Banco. Desde o primeiro momento os caras me abraçaram como parte da família – tanto a Instituição como os profissionais do meu setor. Eles me respeitam, ajudam, encobrem minhas cagadas. Qualquer coisa que eu precise, eles disponibilizam. Aqui eu falo e eles me escutam. É claro que a recíproca é verdadeira. Faço de tudo para ajudar a todos eles, mas geralmente, isso é uma via de mão única para mim. Enquanto eu coopero, as pessoas viram as costas. Por isso, acho que criei tanto carinho por esse pessoal da Formalística.

O ser humano é mesmo ingrato. Eu sou ingrata. Ao invés de aproveitar o que estão me dando, fico indo atrás daqueles que não me dão valor. Mas pelo menos, eu caí na real em tempo. E agora, posso passar isso a vocês.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Bolo de Cenoura

quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Estão acontecendo algumas coisas que realmente têm me deixado chateada.
Eu queria poder falar para algumas pessoas: “Eu disse. Eu avisei. Por quê diabos vocês não me escutaram?”. Mas corro o sério risco de ser apedrejada. O que não entendo é o porquê de ser tão difícil escutar os outros. Eu escutei quando ela me alertou. E escutei quando ele me aconselhou.

Recolho-me, então, ao silêncio. Não ao silêncio de compreensão, e sim, ao silêncio protestante de quem está vendo tudo errado acontecer e, no fundo, quer que certos moleques morram de AIDS. E com o coração em pedaços, porque eu realmente sou ruim.

E espero que outras pessoas caiam na real.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

A voz do meu coração

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Há muito tempo atrás, ao zapear por canais fechados, uma cena me intrigou: uma traição pega em flagrante. A trama me interessou e acabei assistindo o filme inteiro. Mal sabia eu que minha peregrinação a respeito apenas começara.

Poucos dias depois, peguei o mesmo filme na exata mesma cena que da primeira vez. E de novo me emocionei com a história de Denise Waverly / Edna Buxton, herdeira dos Aços Buxton, que havia começado uma empreitada para se tornar uma cantora/compositora numa época onde apenas vozes masculinas eram ouvidas.

O filme se tornou referência para mim. Mas, depois dessas duas vezes, nunca mais ouvi falar do dito cujo. Falei dele para amigos, conhecidos e parentes e simplesmente ninguém tinha conhecimento da obra. Procurei em locadoras, sebos, lojas virtuais, lojas físicas, sites de downloads e nem sinal daquela que havia se tornado minha musa. O tempo passou, as semanas se transformaram em meses e a tecnologia se tornou mais presente. Voltei a procurar aquele filme que por tanto tempo, nunca saíra da minha cabeça. Nada. Passei então, a achar que tudo aquilo havia sido uma ilusão, que eu havia imaginado aquelas cenas e que as músicas apresentadas nele eram, na verdade, de minha autoria.

Mais tempo passa e chegamos à era Youtube. Mas para minha tristeza, não havia nada ali. Descobri então, que poderia importar o DVD pelo Amazon. Que felicidade, ele existia! Mas muito caro e de compra incerta.

Creio que nessa procura toda, tenham se passado oito anos. Oito anos que eu murmurava suas músicas – uma delas de autoria do Elvis Costello (e eu achando que era invenção minha, quanta pretensão!), oito anos que meus próximos ouviam falar sobre o talento de Illeana Douglas, oito anos.

E semana passada, eu achei. E agora, ele é meu.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Sobre como eu deveria ou não ser

quarta-feira, janeiro 30, 2008
Eu realmente queria me entender mais. Ou, no mínimo, ser mais normal.
Juro que se eu não sair logo desse banco, eu me mato. Ou, no mínimo, mato alguém.

Estou trabalhando aqui há oito meses. Nunca gostei do trabalho, afinal, ter uma HP como companheira inseparável realmente não fazia parte dos meus planos. Sempre odiei conta e, quando menos percebi, estava discutindo com outros analistas riscos e créditos.

Eu precisava do dinheiro – e convenhamos, eles não pagam mal – e odiava o trabalho. Minha mãe me aconselhou: “Fica um ou dois meses e sai.” Esses poucos meses passaram e já ouço as vozes da efetivação se aproximando. De início, até fiquei contente, afinal, meu salario dobraria. Mas a empolgação durou menos de três dias. A verdade é que trabalhar no Back office é assinar atestado de burro. Aqui, respondemos por tudo o que dá de errado (sendo ou não nossa culpa) e nunca ficamos com os louros de termos adequado uma operação que nem Deus entenderia. Ao ler isso, meu leitor deve imaginar que o Back é um setor pequeno, insignificante. Ledo engano. Este departamento conta com pouco mais de 200 pessoas. É gente pra burro! E ainda sim, não temos voz ativa para nada. Mesmo quando alguns revoltosos como eu tentam clamar por algum tipo de mudança, são logo calados por aqueles já marcados por tanta porrada.

Comecei o post dizendo que queria ser mais normal. E é verdade. Junto comigo, entraram dois amigos meus da faculdade no mesmo setor. Eles nunca se indispuseram com ninguém. Nunca levantaram suas vozes quando enxovalhados por chefes ou pseudo-chefes. E hoje mesmo, enquanto eu me corroia por dentro por não ter dito mais verdades sobre um caso, um desses meus amigos passou, me cumprimentou e trocou duas palavrinhas sem graça com outra funcionária. Os dois forçaram risos e foi cada um para um canto. Cena típica do mundo corporativo. Eu sei que ele não está feliz fazendo o que faz, pelo menos, é o que ele me diz. Mas pelo menos, ele consegue fingir muito bem. Acho que no fundo, ele quer fazer parte desse mundo. Já eu, não.

Nesse tempo que estou aqui, já tive atritos fortes com duas pessoas e troquei vários e-mails ríspidos com coordenadores, sênior e analistas. Não gosto de pensar em mim como encrenqueira, mas simplesmente não aceito que me diminuam. Faço questão de ser sempre educada, seja com quem for. Chego a extremos de pedir milhões de desculpas quando faço alguma besteira e sempre me acautelo para não cometê-las mais. Por isso, acabo criando uma guerra quando sofro com falta de educação ou grosseria desnecessária. Seja por meu erro ou de outrém.

Há poucos tive uma reuniãozinha com meu chefe. Ele refez toda uma operação que deu problema ontem e confirmou que eu estava correta. Então, disse que não podia me corrigir em nada. Que a operação e os cálculos tinham sido perfeitos. Porém, ele me aconselharia em não bater de frente com os temidos integrantes da área comercial. Segundo ele, até mesmo o nosso Superintendente abaixava a cabeça para um simples estagiário desta área.

Então eu disse que eu não era assim, que não temia ninguém além dos meus pais. Disse que eles podiam envolver Deus nos e-mails que eu manteria minha posição. Que pelo setor, eu até podia tentar pegar leve, mas que por mim, eu destruiria a guria que causou todo esse furdúncio com apenas duas palavras. Ele disse que sabia disso. Deu um leve sorriso e encerramos.

Tenho um certo orgulho de ser assim. Mas às vezes, acho que seria mais prudente temer certas coisas.

sábado, janeiro 26, 2008

Rapidinha

sábado, janeiro 26, 2008
Quarta feira que antecedia a véspera de feriado.
Às exatas 18h, a mesa boleta uma operação D+0. Olho o Sigom e fico puta. Escuto então, um analista sênior na bancada atrás de mim:

"Puta que pariu. Operação D+0 à essa hora! Vai tomar no cu, pra não dizer outra coisa."

Fiquei então pensando...Qual seria essa outra coisa?

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Mais um sonho realizado.

segunda-feira, janeiro 21, 2008
Neste final de semana tive um sonho realizado. E como a maioria dos meus sonhos, 87% dependia de mim, e é isso que me deixa mais feliz.

Sexta feira, carro na porta (como combinado com meu pai), meu amor sugere de ligarmos para um casal de amigos e irmos tomar um açaí. Foi aí que uma vontade simples desde que eu era pititita começou a acontecer.

Esses nossos amigos (eternos motoristas nossos) estavam sem carro, sendo assim, fui buscá-los em casa. O açaí se tornou em cerveja e a cerveja se tornou no show do Velhas Virgens no Kazebre. Para quem não sabe, o Kazebre é perto do fim do mundo na Avenida Aricanduva. E para quem não sabe, eu estava criando um medo (lê-se: pavor) de dirigir. Mas eu estava me sentindo segura naquele momento. Estava com meu amor, meus amigos (um deles, um dos caras que eu mais confio para estar ao meu lado na direção) e minhas lentes de contato. Senti um tremor, mas a vontade de viver aquele sonho simples era bem mais forte.

Fomos. E nos divertimos a valer. Orgulho-me em dizer que não bebi nada. E acostumem-se, pois será sempre assim enquanto eu estiver no front.

No sábado, mesma história. O Sá e a Mari queriam ir ao show do CPM 22 (eca) e acabamos indo. Só que desta vez, tivemos um evento a mais. Meu amigo (o tal do motorista que eu confio cegamente) resolveu encher a lata e, qual não foi minha surpresa quando, em plena Avenida Aricanduva / fim do mundo, às 4h30 da manhã, eles me mandam estacionar abruptamente. É óbvio que não deu tempo e quando eu olho para trás, meu querido amigo estava lavado em seu próprio vômito. Dali então, fizemos em 1h40 um percurso que demoraria 30 minutos, pois a cada duas esquinas, o embriagado me pedia para parar.

Levei-o, então, à casa de sua namorada pois ele queria tomar um banho antes que seu pai visse seu estado lastimável. Enquanto esperávamos, meu amor me pergunta com a voz mais carinhosa do mundo: “No seu sonho havia gente vomitando?”

Quer saber, Sá? Havia sim. Eu sempre dei trabalho para as pessoas, é bom devolver um pouco paciência e compreensão para o mundo. Além do que, o Dente (o vomitado) sempre disse que não via a hora que eu começasse a dirigir, para então, ele poder encher a cara. É do jogo.

Sobre de onde eu venho.

No domingo chuvoso, ligo para o meu pai:

“- Oi, pai. Fudeu.”
“- O que houve, filha?”
“- Preciso mandar lavar o carro, mas não conheço nenhum lugar aberto hoje.”
“- Mas filha, eu te entreguei o carro limpinho na sexta.”
“- É, mas meu amigo chapou o côco ontem e vomitou no banco.”
“- Putz. E como tá o cheiro?”
“- Ah, eu dei uma limpada por cima. Acho que até já acostumei com o cheiro, mas a mãe disse que tá forte.”
“- Filha, não esquenta. Larga lá e amanhã, quando eu pegar, eu mando lavar de novo.”

Lógico que eu não fiz isso. Arranjei um lugar chinfrim, mas pelo menos eles minimizaram os danos.
Fiquei então, pensando em quantos pais encarariam uma situação dessa com tamanha compreensão e tranquilidade, se sujeitando a pegar um carro fedido com vômito de dois dias de um amigo de sua filha que ele mal conhece.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Sobre o conformismo

quinta-feira, janeiro 17, 2008
Ontem eu fiquei puta. Muito puta. Puta mesmo.

Estava eu no ônibus (onde mais, não é verdade?) quando vi um senhor amassar um papel e jogar pelo vidro. Lembrei então, que eu tinha visto aquele mesmo senhor ter a mesma atitude no dia anterior. Fiquei incrédula com aquela cena. E justamente quando eu estava fazendo um juramento para mim mesma que no dia seguinte eu faria questão de ficar próxima dele e lhe dar um sermão na hora que o porcalhão atacasse suas porqueiras na rua, o dito abre sua mochila, pega um saco vazio de salgadinho (destes isopores que vendem no Terminal Pq Dom Pedro) e, mais uma vez, poluiu nosso caminho. Fiquei tão indignada que, antes mesmo de perceber, eu estava bradando: “Não! Não acredito que ele vai fazer isso de novo!”. De início, eu achei que estava apenas falando comigo mesma. Percebi que meu tom de voz estava alto quando uma meia dúzia de conformados me olhou. Prontamente, fui me explicando: “Porra, é a terceira vez que eu vejo esse cara fazer isso! Por que ele não taca a mãe pra fora?!?”

As pessoas me olharam e me evitaram como se eu fosse uma desvairada, como se fosse eu quem estivesse tendo uma atitude condenável. Fiquei inibida e murmurando comigo mesma: “Raça maldita. Porcos lazarentos. Tomara que sejam os próximos desabrigados pela chuva”.

Honestamente, me senti desconsolada. E inútil por não ter feito nada nem convencido ninguém de que aquilo estava errado. Em verdade, fiquei com medo de ser enxovalhada por todos os usuários daquele coletivo. Se eu tivesse tido o mínimo de apoio, sei que eu teria feito alguma coisa para mudar a mentalidade daquele senhor.

Meu juramento continua. Mas minha fé na população paulistana, não.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Egocentrismo mata

terça-feira, janeiro 15, 2008
Creio que alguns leitores saibam o significado de uma ela. Creio também que alguns outros saibam do profundo ódio que ostento por essa raça cruel e proliferadora.
Imagino, então, que outros tantos se lembrem de quando eu mesma – inocentemente – me tornei uma ela na vida de outrém. Pois bem, ontem, tive o (des)prazer de saber que, mais uma vez, eu me tornei aquela que odeio.

Encontrei um amigo no ônibus e trocamos dois dedinhos de prosa. Ele se surpreendeu pelo longo tempo que ficamos sem nos falar, e então, disse para sairmos e tomarmos uma cerveja. Foi então que ele se inibiu: “É, mas minha namorada não pode saber”.
“Imagine” – disse eu, “leve-a junto!”
“Mas ela é muito ciumenta...e ela já viu foto nossa junto”

E então, ele deu a entender que a guria dele me odiava. Mesmo eu o tendo conhecido antes dela, me afastado logo em seguida e nunca mais falado com o dito cujo. Fiquei sem jeito, mas não pude deixar de ir pra casa sorrindo. Foi bom estar do lado de lá pra variar.

Que Deus perdoe e entenda meu egoísmo.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Um fato

quarta-feira, janeiro 09, 2008
... só que dele, eu vou sentir saudades...

quarta-feira, dezembro 26, 2007

MundodeBarbie Retrô

quarta-feira, dezembro 26, 2007
Retrospectiva?
Ok.

Esse ano não foi tão ruim como poderia ter sido. Alcancei muitas das metas que tracei pra mim.
Eu disse que não faria 22 anos sendo recepcionista-faztudo-quebragalho-seferra-assistentedediretoria e de fato, isso não aconteceu. Cheguei a essa idade estagiando no 3º maior banco do Brasil, sendo inteiramente responsável pela análise de crédito e exigência de garantias da área de Formalista, Fechamento de Câmbio, Comex, deste banco – respondendo como analista junior e trabalhando como analista pleno. Alcancei um objetivo, mas não posso dizer que me dei bem com isso.

Me ferrei na facul por causa de tanto trabalho, me superei e de show nas últimas provas.

Comprei um carro. Bati o carro. Me fodi pagando o conserto do carro.

Fiz uma tatuagem.

Me dei ao luxo de conhecer novas pessoas e por mais que isso não tenha sido tão surpreendente quanto eu queria, pode-se dizer que meu ciclo social aumentou.

De resto, mesma historia de sempre.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Sobre coisas que eu não deveria pensar

quinta-feira, dezembro 13, 2007
Este post é sobre uma pessoa. Não é uma crítica, nem um elogio. É mais um pensamento egoísta sobre a mudança de comportamento.

Eu tenho uma amiga, sabem. Acho que deve ser a pessoa que eu conheço a mais tempo. Somos vizinhas desde os 9 anos e amigas desde os 12. Creio ter passado por basicamente todas as fases dela. Fases inerentes à qualquer jovem. O primeiro amor, o primeiro beijo, o primeiro namorado, primeira transa, primeira decepção, primeiro emprego. A escolha da facul, a vontade de largar a facul, a insistência em continuar. Passamos por muitos “primeiros” juntas e, talvez o que nos difere, é que passamos por muitos “outros”, “mais uma vez” e “de novo”, também.

Assisti ao longo de todos esses anos aquela guriazinha chata com o rei na barriga (e que usava várias calcinhas para ficar com a bunda maior), que sonhava em ser modelo (passando por lapsos em que queria ser cientista) se transformar numa historiadora curiosa, questionadora e muito inteligente.

A questão é que, quando pequenas, as crianças acham que melhores amigos são aqueles são exatamente iguais a você e ai brigam quando, ao crescer, os amigos se tornam seres individuais com gostos e vontades próprias. Isso aconteceu comigo e minha amiga. Não foi simples ver aquela menina quase leviana se tornar uma intelectual. Mas ela o fez e eu fiquei do lado dela. Só que ela fez um trabalho tão bom, que eu me acostumei com aquela personalidade. Passei a achar que combinava com ela os livros com cheiro de mofo que ela tanto gostava.

Ao olhar para ela em seu futuro, eu realmente a via em seu apartamento com decoração de vovó, tomando chá com torradas na companhia de seus amigos eruditos. De fundo, talvez Edith Piaf, ou aqueles outros cantores franceses que ela sempre me forçou a ouvir.

Hoje, porém, me surpreendi com o que ouvi. Essa minha amiga, há pouco, comprou uma câmera digital, então, fui perguntar a ela algumas informações, já que há tempos quero comprar uma também.
Mais do que prontamente, ela me passou todas as informações que eu perguntara e ainda completou: “ O próximo passo é um iPod nano”. E ai, caro leitor, se deu meu soco no estômago.

Essa minha amiga, futura professora de história, sempre teve certo, ãh, repúdio por tecnologia. Lembro quando numa festa de confraternização da empresa onde trabalhávamos, ela ganhou um MP3 num sorteio, olhou pra mim e perguntou: “O que eu faço com isso?”

Essa minha amiga e modernidade não andam muito lado a lado. Até onde me lembro, ela não sabia formatar um computador, mas comprou um fodástico recentemente. Preferia um simples CD Player à um MP3 e hoje, sonha com um iPod. Não a vejo mais todo dia, mas aposto que deve estar venerando PlayStation e em breve, vai querer um Wii.

“Oras, Bruna, as pessoas mudam. Você não aprendeu isso ainda?”. É, eu aprendi. O problema é que eu não sei até onde ela está mudando porque quer e até onde é influência do namorado. Ele é assim mesmo. Mas sempre foi. Já ela, outra historia.

Quando eu mostrei Matanza para ela, ela torceu o nariz. Não sei se ele fez tratamento de choque, mas, agora, por ele gostar, ela adora e quer ir em todos os shows.

Talvez seja ciúmes, inveja, sei lá, chamem do que quiser. Eu caracterizo como perda de referências. Não dela, minhas. E repito, é egoísmo mesmo. Como eu já havia dito ao Aléssio, “amigos acham que te conhecem melhor do que você mesmo”. E não gostam de estar errados.

Mas querem saber? Eu realmente acho que, por vezes, seu amigo te conhece melhor do que você.

E espero que minha amiga não esteja se anulando.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

I Semana de Relações Internacionais – UNIP

sexta-feira, dezembro 07, 2007
Foi um evento singelo. Discreto. Bem simples. A primeira vez que conseguimos um espaço para fazer uma Semana de RI. Contou com a presença das turmas do 1º ao 6º semestre e alguns dos melhores professores que já tive a honra de conhecer.

Tivemos duas palestras muito aproveitáveis – uma delas com a Dra Christiane Pecequilo, exímia conhecedora das Relações Brasil / Estados Unidos, um exemplo de cientista polítca.

Também fomos contemplados com uma belíssima apresentação de dança espanhola. Tivemos sorteios, prêmios, mimos e – o que pra mim foi mais importante – tivemos o coordenador do curso dizendo: “Estou muito feliz por estar aqui com vocês. Obrigada por confiarem”

Pode parecer pouco, mas pra quem já sofreu tanto naquela faculdade, poder estar ontem ali, com professores mestres, com alunos dedicados e palestrantes e patrocinadores presentes, foi realmente fantástico.

Como eu disse, foi singelo, simples – coube tudo dentro de um auditório. Mas foi a nossa maneira de sermos excepcionais. Foi a nossa maneira de dizer: “Estamos aqui, existimos e podemos fazer diferença”.

Cada vez mais, nos tornamos a Zezé.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Sobre a sensibilidade das pessoas

sexta-feira, novembro 16, 2007
- Mãe, hoje eu vi uma borboleta morta. É mau agouro?
- Pra ela, é.
 
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